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A “saga” Pico Paraná

Texto e fotos: Munyke Kerllyn Stelter

O Pico Paraná ou PP (como é chamado) não chega a estar na lista das maiores montanhas do Brasil. Mas é a maior do Sul do Brasil, com 1877m, portanto um roteiro quase obrigatório para quem gosta de montanha aqui no Sul.

Vista do PP

Chamo de “Saga Pico Paraná” pois foram preciso três tentativas para que eu pudesse aproveitar realmente a vista lá de cima e tudo o mais que a trilha oferece.

Vista

Minha primeira trekking lá foi na páscoa de 2012, já tinha subido algumas montanhas na região onde moro, mas aquelas que você leva no máximo 3 horas pra subir.
Estávamos num grupo de 8. Como começamos a subir durante a noite acampamos no A1 (há 3 áreas principais de acampamento na trilha, além do cume, o primeiro para talvez 5 ou 6 barracas; no abrigo 02, para 7 ou 8; no abrigo 03, para umas 2; e finalmente no cume, para umas 3 barracas).

Crista por onde passa a trilha.

Para se abastecer com água,é tranquilo, tem água no início da trilha ainda na fazenda, o primeiro ponto de água na trilha fica depois do Getúlio, na bica entre o Caratuva e Itapiroca, essa é a melhor de todas as bicas e um bom lugar para uma parada e um lanche. Há mais dois riozinhos antes de chegar no A1 onde também é possível pegar água. Depois desse ponto apenas terá água novamente no A2 pegando uma pequena trilha que sair por trás da casa de pedra.

Trilha

Continuando a primeira tentativa; no outro dia pela manhã subimos até o cume. O tempo estava úmido, tivemos uma pequena brecha para poder ver o cume assim que saímos do acampamento, depois as nuvens baixaram e mesmo lá de cima não conseguimos ver nada. Foi minha primeira vez numa trilha com esse grau de dificuldade, ficava com medo de escorregar nas partes dos grampos.

Grampos

Na segunda tentativa estávamos somente eu, meu namorado e 3 amigos. No caminho ficamos empolgados com o Sol que surgia pelas nuvens, tínhamos conferido a previsão, e indicava Sol com nuvens e pouca possibilidade de chuva. Começamos a trilha por volta das 8 horas da manhã. Logo começou a chover, percebemos a trilha bastante encharcada, e ainda no começo encontramos alguns aventureiros como nós descendo dizendo pra não arriscarmos, que a trilha estava muito molhada e que haviam desistido. Mas como somos teimosos e tínhamos esperança de um amanhecer com Sol, continuamos. Realmente tinha muita, mas muita água na trilha, formavam-se cachoeiras, onde da outra vez não havia nem sinal de água. Mesmo calçando bota de trilha, todos molharam os pés.

Galera

Ao chegar na parte dos grampos foi um tanto desesperador, mas como já estávamos meio molhados, encaramos mesmo assim. Era uma verdadeira cachoeira, e molhou tudo, eu, roupa, mochila, na verdade não tinha ideia se havia sobrado algo seco ali dentro mesmo tendo colocado tudo em sacolas; era muita água.
Ao chegarmos no A2 depois de 7 horas de trilha, montamos as barracas e deixamos uma para as roupas mochilas e tudo que estava molhado e ficamos os 5 na outra barraca que era pra 4 pessoas. Encontramos mais umas 3 ou 4 barracas mas com a chuva nem deu pra conversar com o pessoal. Foi ali que com certo alívio descobri que pelo menos minhas roupas estavam secas. O resto encharcado, inclusive o saco de dormir! De todos os sacos sobrou um sem estar molhado abrimos ele e sentamos em cima, e as duas capas de chuva que os meninos trouxeram, eles acabaram vestindo pra se aquecer. Tínhamos apenas um fogareiro com dois cartuchos de gás e isso era por volta das 16 horas.
Estávamos com muita esperança que o vento forte que soprava iria levar a chuva e pela manhã subiríamos até o cume para curtir um belo nascer do Sol, mas conforme o tempo passava essa esperança ia acabando, o assunto acabou e tentamos dormir, um deitado meio por cima do outro pra se esquentar e apoiar a cabeça, lá pelas 8 horas da noite começou a ficar cansativo, quando resolvíamos olhar no relógio, não tinha passado nem meia hora desde a última vez que conferimos a hora. E assim fomos passando o tempo. De madrugada, quando a chuva deu uma trégua, um dos meninos saiu da barraca, tinha estrelas no céu e ficamos animados, mas essa alegria não durou muito, a barraca já estava torta por causa do vento e por montarmos ela as pressas, em um dos cantos começava a brotar água pelo chão da barraca, aquecemos água e colocamos em algumas garrafas para nos esquentar, estava muito frio e úmido, sorte que fizemos isso pois quando o gás acabou essa era a única maneira de nos aquecermos.
Foram horas intermináveis até as 7 da manhã, fiquei muito chateada e desanimada, prometi que só faria de novo o PP quando tivesse plena certeza que não poderia ter chuva. Quando clareou e resolvemos descer. Estava exausta e mal conseguia caminhar. Depois da 1ª bica de água, já não conseguia mais erguer as pernas para passar subir as pedras e troncos, (essa é a parte mais cansativa da trilha) então meu namorado levou também a minha mochila. Ela devia ter o dobro do peso por estar tudo molhado. Nunca fiquei tão feliz quanto ao avistar o pasto do Fazenda Pico Paraná.

Raízes e pedras - Parte cansativa da trilha, mas as arvores são lindas.

Foi doloroso, mas hoje posso dizer que foi divertido! Hahahah (até que eu passe por uma dessas de novo).
Finalmente na terceira tentativa pude aproveitar tudo que não deu das outras vezes. Ficamos monitorando o tempo, e somente na sexta-feira decidimos que realmente iríamos. Estávamos em 5 e a trilha estava ótima, o clima colaborou com algumas nuvens amenizando o calor já que subimos tudo durante o dia. Encontramos vários grupos também subindo para acampar e outros fazendo ataque, até dois cachorros encontramos!

Cachorros montanhistas haha

Pareciam famintos e com sede, então alimentamos eles com um pouco de carne que tínhamos e demos água, ficamos preocupados e ligamos para a Fazenda, quando passamos as descrições deles, nos informaram que eles eram da vizinhança e que as vezes acompanham grupos que vem fazer trilha e que provavelmente desceriam com o primeiro grupo que estivesse voltando. Se não fosse por causa dos grampos tenho certeza que eles subiriam sozinhos.
Chegamos no cume em 7 horas e meia, montamos acampamento lá, a 1877m de altitude. Curtimos a paisagem, almoçamos e deu até pra tirar uma soneca.

Parte queimada no Cume

Pôr-do-Sol

No fim da tarde fomos agraciados com um lindíssimo Pôr-do-Sol! Logo mais foi a vez do show da Lua, surgindo magnífica do outro lado do Pico. Por falar em Lua, quase não precisamos de lanternas, pois a Lua cheia iluminava todo acampamento. Mais tarde chegaram mais umas 5 pessoas pra acampar no cume (que não possui muito espaço) mas deu pra todos.
Depois da janta tivemos até direito a um cineminha na barraca com o DVD portátil – faltou só a pipoca. (tudo bem que a maioria caiu no sono antes de acabar)
Pra fechar com chave de ouro, tivemos um amanhecer espetacular. Nuvens baixas, formando um verdadeiro Mar entre as montanhas e o Sol fazendo a festa da galera toda que chegou no topo pra ver esse momento inesquecível!

Nascer do Sol

Depois dum café da manhã caprichado, com omelete e tudo, desmontamos acampamento e partimos as 8:30h. Descemos num passo mais acelerado, com poucas paradas. Aproveitando o tempo Eu Pipi e Joel fizemos um bate-volta até o Itapiroca – 15 minutos de subida e 7 de descida (sem mochilas). Chegamos na Fazenda Pico Paraná as 14:30 fechando 6 horas de descida.

Vista do PP a partir do Itapiroca

Criei coragem e fui tomar um banho de rio, água gelada demais! Mas foi super revigorante. Recomendo! Assim como os pastéis do Dilson, dono da Fazenda.

Tudo foi maravilhoso, a única coisa que me chateou foi ver a grande quantidade de fogueiras feitas nos pontos de acampamento, o lixo largado, e o incêndio que atingiu o Cume e que pelo visto não faz muito tempo; provocado com toda certeza por algum indivíduo, sem amor à natureza! Carregar um fogareiro e um gás na mochila não mata ninguém! Não há necessidade de fazer fogo!

Uma boa recompensa! Hehehe


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Elque Silva

Elque Silva

Apaixonada pelas coisas boas da vida: montanhas, trilhas, aventuras, viagens e amigos. Trabalha na área de Administração. Me siga no Twitter: @elquetrekking


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