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Como planejar a sua viagem ou mochilão

Programar uma viagem comum ou um mochilão pode ser uma tarefa complicada para aquelas pessoas que não tem muita experiência no assunto, principalmente se a viagem for internacional. Uma viagem ao exterior esbarra em dificuldades com o idioma, câmbio, costumes, dificuldades de obter informações em alguns casos, etc.

Minha experiência em organização de viagens começou com o mochilão de 2009 onde cruzamos Bolívia, Chile e Peru até Machu Picchu. O planejamento aconteceu totalmente online, com a busca de informações em sites de turismo, comunidades do Orkut e fóruns de mochileiros. Além disso comprei dois guias de viagens, um do Peru e um da Bolívia, que me ajudaram muito durante a viagem. É assim que tudo começa, com pesquisas e mais pesquisas e com o levantamento de custos.

1. Planejamento do roteiro e custos da viagem

Esse é o passo inicial e o que consome mais tempo do viajante. Algumas pessoas montam planilhas no Excel outras preferem usar textos – eu prefiro usar um mix dos dois, uso o Excel para calcular os gastos totais e para efetuar operações de câmbio automaticamente dentro da planilha e no Word eu anoto todas as dicas importantes que vou recolhendo da internet e dos guias de viagens.

Em geral eu monto uma página no Word com dicas gerais e informações importantes e depois crio uma tabela com tempo de deslocamento entre as cidades do roteiro para servir como referência durante a viagem. Feito isso eu começo a anotar as dicas de cada cidade, incluindo albergues/hotéis, coisas a fazer, dicas de transporte, distância e tempo até a próxima cidade do roteiro, etc.

roteiro-ideia

Imagem mostrando o modelo de roteiro que eu fiz pra esse mochilão de 2009

Uma dica boa pra quem quer economizar tempo e dinheiro: viaje entre as cidades do roteiro na parte da noite. Assim você dorme no transporte e economiza com hospedagem e tempo. Fazendo isso é possível chegar numa cidade de manhã, deixar a cargueira num guarda-volumes (locker) e sair para conhecer a cidade. Aproveitar o dia, voltar cedo pra rodoviária/estação/aeroporto e pegar o transporte para próxima cidade. Durma nas cidades com mais atrativos.

Mas onde obter essas informações??

Além dos guias de viagens que eu já mencionei antes um dos melhores lugares para achar informações sobre viagens, roteiros e até mesmo companhia para aventura é no fórum do Mochileiros.com vale a pena se cadastrar lá e gastar um tempo buscando informações e roteiros de outras pessoas.

Existe um guia de viagens da América do Sul chamado “Guia Criativo para o Viajante Independente na América do Sul” – que muita gente chama de “guia dos mochileiros”. Não é barato, mas tem muita informação boa lá! O meu eu comprei recentemente numa feira de livros usados aqui no Rio de Janeiro, paguei 15 reais! Também existe a versão deste guia para Europa.

Para quem quer gastar menos existem uns guias bons da PubliFolha (tenho da Bolívia e Peru) e os ótimos Lonely Planet, só que este último está sempre em inglês!

Outro site que ajuda bastante é o Google. Busque informações sobre as cidades que você visitará ou até mesmo relatos de outros viajantes que foram publicados em blogs. Uma dica importante: ao buscar informações tente ter uma idéia da data em que aquele texto foi escrito, assim você evita surpresas com diferenças de preços, locais que fecharam, serviços que não existem mais…

IMPORTANTE: deixe alguém da sua família ou amigos ciente do seu roteiro e do dia de retorno. Use a internet durante a viagem para mostrar aos seus amigos ou familiares em que ponto do roteiro você está. Assim caso aconteça alguma coisa eles terão uma noção da sua localização.

2. Tempo, dinheiro e clima

Esses três fatores podem fazer a sua viagem ser um sonho ou um pesadelo. Veja o por que:

Tempo

Planejar o tempo gasto em cada cidade, durante os deslocamentos ou em caso de imprevistos é fundamental! Nunca deixe o roteiro com o tempo muito apertado e pense em imprevistos. É muito comum deixar de visitar uma cidade que era importante porque no meio do caminho o ônibus quebrou ou a estrada estava interrompida. Eu recomendo que você deixe entre um e dois dias completamente livres no seu planejamento, isso vai evitar dor de cabeça por causa de qualquer obra do destino. Planejar e saber o tempo de deslocamento entre as cidades lhe permite mudar o roteiro no meio do caminho e assim conseguir incluir uma cidade que você achava que não conseguiria visitar – o que pode ser bem legal.

Dinheiro

Melhor sobrar do que faltar, essa é a regra principal. Ao montar o orçamento super fature os valores para evitar surpresas. Lembre-se que em períodos de alta temporada o que custa X passa a custar bem mais. Outra questão importante é sobre como transportar o dinheiro. Tenha sempre um ou mais cartões de crédito além do dinheiro vivo – eu costumo viajar assim, dinheiro para o dia a dia e cartões para emergências. Outras pessoas preferem usar cartões especiais, conhecidos como VISA TRAVEL MONEY ou VTM. Esse cartão pode ser feito em agências de turismo aqui no Brasil e funciona da seguinte maneira: você escolhe um valor e deposita esse valor no momento do contrato. O valor escolhido fica automaticamente disponível para uso no cartão, podendo servir para saques em caixas rápidos ou compras em débito. O VTM tem uma senha, cuidado para não perdê-la. Outra questão importante é que nem sempre existem caixas eletrônicos em qualquer cidade pequena, então se você for usar o VTM planeje-se para sacar o dinheiro antes de chegar nestas cidades menores. A cada saque o VTM lhe cobra uma taxa.

Se na sua viagem você levar dólares/euros e precisar trocar pela moeda local faça o seguinte: ao entrar no país troque alguma quantidade de dinheiro, o suficiente para os gastos básicos (alimentação, transporte, hospedagem, taxas…) e vá controlando este dinheiro, assim você evita mexer nos dólares/euros. Se a sua viagem for cruzar mais de um país com moedas diferentes faça a mesma coisa que eu expliquei antes, só tome cuidado para não trocar dinheiro demais e acabar ficando com sobras. Isso pode ser ruim caso você passe de um país com moeda fraca para outro com moeda mais forte e tenha que fazer o câmbio dessas sobras.

Tenha sempre uma calculadora de bolso com você!!

Ainda com relação a dinheiro, eu calculei para este mochilão (Bolívia, Chile e Peru) uma média de gastos de 40-50 dólares por dia. Isso é um orçamento médio, tem gente que passa com menos, tem gente que gasta 100 dólares. Vai depender dos seus hábitos alimentares e do seu tipo de hospedagem, principalmente. Teve dias em que gastamos 16 dólares e em outros passamos de 100! Portanto, controle seu dinheiro! Na Europa e Estados Unidos tenha uma média de 100 dólares ou euros por dia.

Clima

Ao escolher a data da viagem pesquise em sites como o weather.com ou climatempo.com.br como é o clima na região naquele período, assim você se planeja para levar mais ou menos roupas de frio, roupas de praia, bermudas ou calças, etc. Além disso você pode escapar de períodos de chuva ou até mesmo de furacões.

3. Documentos e vacinas

Em muitos países é necessário ter visto de entrada, passaporte e uma lista de determinadas vacinas. Verifique isso antes de sair para viagem. Essas informações costumam aparecer nos guias de viagem. Em caso de viagem internacional é necessário tomar as vacinas obrigatórias para aquele destino – o que pode ser feito no posto de saúde mais próximo da sua casa – e depois ir até um posto da Anvisa com os comprovantes da vacinação e solicitar a carteira internacional de vacinação. Ao tomar a vacina no posto não se esqueça de pedir o comprovante, explique que é para fazer a carteira internacional na Anvisa.

Uma dica de segurança: scanneie todos os seus documentos e cartões e envie as imagens para o seu email. caso seus documentos sejam roubados ou perdidos você terá como imprimir uma cópia deles e facilitar a retirada de um passaporte de emergência no consulado brasileiro do país onde você estiver.

4. Idiomas e costumes

Viagem internacional e você não fala nada do idioma do destino?? Busque alguma informação no guia de viagens ou peça a alguém que fala o idioma para lhe ensinar as frases básicas. Anote as frases num papel com a grafia correta e com a grafia da pronúncia embaixo, assim mesmo que a pessoa não entenda o que você disse é possível mostrar a frase pra ela e tentar se entender por mímica.

Aprender o básico do idioma é uma coisa bem importante. Na França, por exemplo, você pode falar inglês fluentemente mas quando perguntar alguma coisa em inglês eles em geral te responderão em francês, é um mal hábito deles, mas que existe por causa da rixa com a Inglaterra…

Alguns povos tem costumes e hábitos bem diferentes dos nossos. Uma coisa curiosa na Bolívia é que as mulheres com trajes típicos – chamadas de “cholas” – não gostam que tirem fotos delas. Peça antes de tirar ou tire bem escondido. As reações podem ser chatas. Levei uma boa bronca uma vez por isso!

hotdog-chile
Pergunte antes de pedir as coisas. Cachorro quente completo no Chile tem guacamole (abacate)

5. As mochilas

mochilas
Mochilas usadas durante o mochilão de 2009. As duas da direita são minhas.

Sim, são “as mochilas”. Eu não gosto de viajar com malas, principalmente por que elas deixam as mãos ocupadas, sendo assim eu sigo o padrão dos mochileiros, uso duas mochilas. Uma menor (mochila de ataque) para deslocamentos diários dentro das cidades, passeios e afins; e uma maior (mochila cargueira) para carregar roupas, compras e afins.

Na mochila de ataque deixe um kit para deslocamentos, algo como: uma necessaire básica, um casaco leve, mp3 player, câmeras, pilhas, o guia de viagens e o seu roteiro, remédios de uso diário, óculos escuros, água, um lanche… Pequenas coisas que você vai usar durante os passeios pela cidade. Nunca desgrude da sua mochila de ataque, seus itens de valor devem estar nela. Cuidado com o tamanho da mochila de ataque ou você poderá ter que despacha-la junto com a bagagem em voos, o que não é uma boa coisa!

Dinheiro e documentos devem estar sempre com você, de preferência em um money belt e/ou divididos em vários locais. Evite carteiras.

Na mochila cargueira você leva tudo que precisa para viagem inteira: suas roupas, casacos, roupas de praia, material esportivo, calçados extras, kit de remédios completo… Cuidado com o peso excessivo e com o tamanho da mochila, isso evita taxas extras por excesso de bagagem nos aeroportos – apesar que nem sempre é possível, então se prepare para essas taxas. Use a capa de chuva da sua cargueira para protege-la durante o transporte nos bagageiros, é sempre útil.

capa-cargueira
Não dá pra ver direito mas a mochila estava coberta de poeira do bagageiro do ônibus, ainda bem que estava encapada

Passear com a cargueira é sempre desconfortável, então se prepare para deixá-la em lockers (guarda-volumes) na rodoviária ou aeroporto ou mesmo deixá-la no hotel enquanto você passeia pela cidade. Por este motivo e por causa do transporte em bagageiros é que esta mochila não deve ter nada de valor ou frágil.

Evite carregar roupas demais. Use blusas leves e que sejam fáceis de lavar/secar – recomendo blusas de dryfit e que não sejam de cores muito claras. Umas 5 blusas, duas calças jeans escuras e 4 bermudas dão conta do recado – lembre-se que você vai lavar roupa durante a viagem, seja no quarto do hostel ou numa lavanderia. Além disso umas 5 peças de roupa íntima e uns 3 ou 4 pares de meia. Se o seu destino for um lugar frio eu recomendo que você leia o meu artigo sobre “Roupas de Frio e Neve“. Algumas boates e restaurantes na Europa e Estados Unidos não permitem a entrada de pessoas usando tênis ou botas nem roupas despojadas demais, fique atento para isso!

Faça checklists de todo o material que vai entrar nas mochilas e já deixe separado o que vai para mochila de ataque. Quando fomos de São Paulo até Corumbá eu separei na mochila de ataque uma muda de roupa completa, toalha, necessaire quase completa, óculos escuros, mp3, lanches, água, travesseiro inflável e câmeras. Tudo que precisava para encarar as 22 horas de ônibus até a fronteira com a Bolívia. O resto ficou na mochila cargueira dentro do bagageiro do ônibus. Se programe para não ter que precisar de nada que está na mochila cargueira durante os deslocamentos!

6. Infográfico com os tópicos principais

Infográfico Organização de Viagem

  Abrir o infográfico em outra aba

 


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Mario Nery

Mario Nery

Trekker, montanhista e mochileiro, pratica esportes outdoor desde 1990. Apaixonado por equipamentos, fotografia, cerveja e tecnologia. Formado em TI, atualmente trabalha na área mídias sociais/marketing digital. Siga o Trekking Brasil no Twitter: @trekking


8 comentários

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  1. LiCo
    LiCo 4 dezembro, 2010, 20:23

    Leve sempre metade das roupas que acha que vai usar e o dobro do dinheiro que acha que vai precisar! (Ou não heheh)

    Dê sempre uma margem para imprevistos, pois acredite, eles acontecem, em maior ou menor grau.

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  2. LiCo
    LiCo 4 dezembro, 2010, 20:50

    “Na França, por exemplo, você pode falar inglês fluentemente mas quando perguntar alguma coisa em inglês eles em geral te responderão em francês, é um mal hábito deles, mas que existe por causa da rixa com a Inglaterra…”

    Eu acho que nada mais justo do que você aprender “meia dúzia” de palavras do país onde você vai, afinal de contas, qual é o barato de se viajar por conta? Conhecer novas pessoas, novos lugares, novos sabores, novas culturas etc.

    Não concordo que seja um mal hábito francês e sim um excesso de patriotismo, afinal de contas se você está na frança, pelo menos TENTE falar francês. Aqui no Brasil temos uma péssima mania de querer agradar os gringos e tem lugar que o cara sabe vender EM INGLÊS a porcaria do “artesanato industrial” dele mas não sabe falar nem o português corretamente. Isso é o contrário francês: falta de patriotismo.

    Vi um argentino discutindo com um brasileiro e o argentino falava: “Habla español, usted no está en Brasil”.

    Quando fui ao Peru eu deixava claro para os guias que não me importava se eles explicassem tudo em inglês, mas quando conversassem diretamente comigo, era para falar casteliano. Pode ter certeza que fiz muito mais amizades que os gringos e tive alguns “privilégios” (entre aspas mesmo) por causa disso.

    Parabéns Mario, esse seu post está muito bacana! Desculpe o post gigante.

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  3. Rafael
    Rafael 22 Fevereiro, 2011, 11:08

    Olá Mochileiros,
    Concordo com o LiCo, cheguei dia 22/01 de um mochilão solo pela Europa e estou planejando um mochilão pela América do Sul. Acho super importante falar com os nativos no idioma local, tanto por educação quanto para o próprio crescimento cultural do mochileiro. Está questão dos “Privilégios” com os nativos é realmente verdade e eles se mostram realmente dispostos a ajudar.

    Até Mais

    Rafa

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  4. Apolinário
    Apolinário 8 setembro, 2011, 15:37

    E ai Galera?

    Cara, tenho vontade de fazer esse mochilão: Bolívia, Chile e Peru até Machu Picchu!!
    Quem teve a experiência se quiser me enviar o planejamento pra dar uma ajudada.

    Valew

    apolinebas@gmail.com
    Fabrício Apolinário BH/MG!!

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  5. Henrique Faria
    Henrique Faria 7 novembro, 2014, 19:59

    Muito legal o seu texto. Agora que ando procurando informações para um mochilão que pretendo fazer pela Bolívia e Peru, tenho visto cada texto! Parece que quando é muito ruim perde a confiabilidade. Ou então de gente que tem o perfil completamente diferente do meu… As suas informações são muito boas dentro de um texto sério e bem escrito. Muito obrigado! Vão ser de grande utilidade para mim.

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