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Da trilha para a casa da boêmia carioca…

Tem dias que são diferentes, e muito diferentes dos outros. O domingo passado foi assim. Eu e a Dani resolvemos fazer a trilha do Parque Lage até o Corcovado. Saí­mos cedo da Ilha e fomos até Ipanema para deixar algumas coisas na casa do pai dela e de lá partimos para o Parque Lage onde a trilha para o Corcovado começa.

Era um domingo nublado, ameaçando chover – coisa que felizmente não aconteceu. Chegamos ao Parque e paramos no estacionamento para a Dani alongar. Assim que paramos vimos uma menina falando conosco de longe, com um sotaque estrangeiro. Ela se aproximou e nos perguntou, em português, se iríamos fazer a trilha para o Corcovado. Respondemos que sim e ela perguntou se poderia ir conosco, assim conhecemos a primeira personagem do nosso dia diferente. O que era apenas para ser uma trilha acabou sendo muito mais que isso!

Aceitamos o pedido da nossa nova companheira de trilha. Elizabeth, ou apenas Liz, é uma americana de Nova York que estava no Rio por causa do seu trabalho – importação de açaí­. Ela nos disse que já morou aqui por um ano e que já praticou trekking outras vezes. Fomos subindo a trilha a conversando sobre o Rio, estrangeiros e animais. O português dela era bem claro, o que facilitava ainda mais a comunicação.

A trilha é relativamente pesada então nas paradas para beber água aproveitávamos para apreciar a vista e bater papo. Descobri que nem todos os estrangeiros gostam de ser chamados de “gringos”, e como a própria Liz falou: “it’s a bad word” (é uma palavra ruim). Ok, então!

Depois de algum tempo chegamos até os trilhos do trenzinho do Corcovado e paramos na Curva do Oh para tirarmos umas fotos e descansarmos um pouco. Liz adorou a paisagem, aliás, não tem quem não goste daquela vista da Lagoa e das montanhas.

Trilha do Corcovado
Dani (esquerda) e Liz na Curva do Oh – Trilha do Corcovado

Andamos mais um pouco e chegamos ao Cristo Redentor, deixei as meninas lá em cima e desci até as lojinhas do Corcovado para ver se encontrava pilhas para minha câmera. Pilha eu encontrei, mas por R$ 10,00 o par e as lojas não aceitavam nenhum cartão, nem de débito – aliás ninguém aceita cartões no alto do Corcovado. Bem, eu estava com pouco dinheiro e como ainda tinha que deixar a Dani em Ipanema e voltar pra Ilha resolvi não comprar as pilhas. Mais algumas poucas fotos e a pilha acabou de vez.

Cristo Redentor
Cristo Redentor – O tempo resolveu ajudar

Enquanto eu brigava com a câmera para ver se conseguia um último suspiro das pilhas a Liz conversava com a Dani. Ela nos perguntou se irí­amos descer pelo mesmo caminho e se sabí­amos onde ficava Santa Teresa. Respondemos que desceríamos pela trilha e que sabíamos mais ou menos como ir dali até Santa Teresa, afinal a Lapa é uma velha conhecida nossa.

De repente eu olho pra elas e falo: “Eu não conheço Santa Teresa, podemos ir juntos??”.

Sim, vamos juntos! Beleza, saí­mos do Cristo e eu tinha que passar no banco para sacar algum dinheiro, na minha carteira tinha apenas uns R$ 10,00. Não encontrei nenhuma agência da Caixa aberta, aliás a Caixa Econômica é um péssimo banco para se precisar no fim de semana, a menos que você encontre um caixa 24 horas por perto de você…

Vamos assim mesmo! Coisa de maluco, é o espírito de mochileiro…

Almoço? Nem pensar! A menos que eu encontrasse algum lugar que aceitasse cartão. Mas tí­nhamos água, biscoitos e sanduíches nas mochilas. De fome e sede ninguém ia morrer.

Pegamos o ônibus e chegamos até a Lapa. Vi uma agência da Caixa mas ela estava fechada. Tá né, vamos subir sem grana mesmo. Eu nunca tinha pego o bondinho, não sabia onde ele parava e nem quanto custava. Foi aí­ que conhecemos o mais novo integrante do nosso passeio, o nosso mini-guia de Santa Teresa.

A Dani foi se informar sobre como chegar até o bondinho. Ao nosso lado estava um menino com uma caixa de engraxate nas mãos, e que iria subir para Santa Teresa também. Ele resolveu nos levar até o bondinho, fomos com ele subindo as ladeiras da Lapa até a estação do bondinho. Nosso pequeno guia nos disse que a tarifa do bondinho de Santa Teresa custava R$ 0,60 se fossemos sentados, mas a carona em é era de graça!

Oba! Vamos em pé, é muito mais divertido! A Liz se divertia com o passeio e nós também, foi uma aventura a parte andar pendurado no bondinho.

Bondinho de Santa Teresa
Lá vem o bonde! Segura aí!

O bondinho estava cheio de turistas que falavam uma língua estranha, parecia hebraico ou russo, sei lá. Quando eles nos viram pendurados na lateral do bondinho começaram a tirar fotos, nosso pequeno guia virou estrela. Aliás, foi no bondinho que conhecemos mais uma integrante da nossa aventura pelo Rio. O nome dela eu não lembro, mas era “Li alguma coisa”. Era uma menina amazonense que estava hospedada em um hostel (albergue) em Santa Teresa mesmo. Ela estava aqui para um encontro de jovens que iriam debater ações sociais, ou algo assim.

Chegamos na estação do bondinho do Largo do Guimarães, onde paramos no centro de informações turísticas e aproveitamos para comprar um guia dos ateliês e do comércio de Santa Teresa, apenas R$ 2,00. O bairro é um pólo de artistas plásticos e figuras da boemia carioca. No posto de informações turísticas existia um caixa eletrônico, lá fui eu tentar sacar dinheiro – uma verdadeira odisséia. Já estava ficando chato isso! O equipamento não estava funcionando… Fazer o que, né…

No posto também era possível contratar serviços de guias e assistir alguns filmes no Cine Galeria. Do outro lado da rua encontramos um centro cultural, nosso mini-guia nos levou para mais um passeio. Desta vez estávamos eu, Dani, Liz e a menina do Amazonas. Na casa temos um grupo de capoeira e uma livraria com café, além do mercado das pulgas que acontece todo primeiro domingo de cada mês das 12:00 as 18:00. Demos uma volta pelo espaço e ficamos na grade do jardim vendo o movimento do Largo a nossa frente.

Nosso mini-guia, que não morava em Santa Teresa, mas sim em Belford Roxo, se despediu e nos deixou olhando a vista. Um verdadeiro carioca, simples, mas muito receptivo. Exemplo de uma vida humilde e honesta. Um garoto com seus 13 ou 14 anos.

Descemos até o Largo e resolvemos subir mais com o bondinho. Infelizmente o pessoal do posto de informações disse para a Dani que o bondinho não estava subindo naquele dia por problemas na linha. Mas nos disse que poderíamos descer andando até o largo do Curvelo e chegarí­amos até o Parque das Ruínas, mais uma atração de Santa Teresa.

Fomos andando e conversando. conhecendo as lojinhas e as pessoas de Santa Teresa. No meio do caminho em frente a estação do Largo do Curvelo (fotos abaixo) encontramos uma bandinha de jovens tocando o melhor da música de rua e dos carnavais do Rio, com seus tambores, trompetes, flautas e pandeiros. Cultura, arte e diversidade, assim é Santa Teresa!

Largo do Curvelo - Santa Teresa
Estação do Largo do Curvelo

Bandinha de Santa Teresa
Som de primeira com a banda de rua

A bandinha foi embalando nossa caminhada rumo ao Parque das Ruínas, uma espécie de museu das ruí­nas da casa de uma antiga socialite da Belle Époque do Rio de Janeiro.

Segundo o site da RioTur, o parque foi o que restou do Palacete Murtinho Nobre, onde morou Laurinda Santos Lobo. A casa foi um dos pontos mais efervescentes da vida cultural carioca durante muitos anos, até a morte da anfitriã, em 1946. A Prefeitura fez renascer das ruínas a cultura que ali existiu. O parque abriga uma sala de exposções, auditório e cafeteria, garantindo conforto a shows musicais, happy hours e leitura de textos literários.

Parque das Ruí­nas - Santa Teresa
Parque das Ruí­nas – Santa Teresa

Saí­mos de lá e pegamos o bondinho rumo ao centro do Rio, nosso passeio estava acabando, assim como o dia. A menina do Amazonas ficou em frente ao albergue dela e eu, Dani e Liz descemos até o centro – passar por cima dos Arcos da Lapa pendurado no bondinho é incrível! No centro eu finalmente achei uma agência da Caixa onde eu consegui sacar algum dinheiro.

Como estávamos na Carioca dei a dica de irmos de metrô, a Liz não conhecia o metrô carioca e seria uma boa chance de mostrar pra ela como é um dos melhores metrôs do mundo, bem diferente do metrô nova-iorquino. Descemos na estação Carioca e pegamos a integração até Ipanema, assim iríamos de metrô e depois de ônibus com rapidez e segurança. A Liz ficou surpresa com a organização do metrô e com a falta de pessoas na estação, explicamos que era domingo e que o movimento no centro é pequeno nesse dia.

Chegamos até a Estação de Copacabana e pegamos o ônibus do metrô até Ipanema, ficamos na praça General Osório, enquanto a Liz desceu no próximo ponto. Nos despedimos da Liz e eu e Dani terminamos nosso dia, pra lá de diferente, com um belo sorvete na Sorveteria Itália próxima da Rua Farme de Amoêdo.

Um dia perfeito… Como diria Renato Russo.


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Mario Nery

Mario Nery

Trekker, montanhista e mochileiro, pratica esportes outdoor desde 1990. Apaixonado por equipamentos, fotografia, cerveja e tecnologia. Formado em TI, atualmente trabalha na área mídias sociais/marketing digital. Siga o Trekking Brasil no Twitter: @trekking


3 comentários

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  1. Woody
    Woody 20 Maio, 2008, 02:17

    Olha Mario além de ter sido um belo passeio vc esta narrando de uma forma leve e interessante.

    Parabéns!

    Gostoso de ler.

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  2. Rosana
    Rosana 6 junho, 2008, 23:56

    Ola, Mario, neste domingo dia 08/06 eu e minha familia e colegas tambem queremos subir o corcovado pelo parque Lage, porem nao sabemos como fazer isso, voce pode nos dar uma dica. POr la tem guias que podem nos auxiliar????

    Bjs

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  3. Wagner Veiga
    Wagner Veiga 4 setembro, 2009, 03:01

    Me lembro bem do passeio a Santa Teresa meus filhos Daniel e Matheus conheceram o Cristo Pãp de açucar e quando perguntei qual foi o passeio que eles mais gostaram adivinhem foi do bondinho de Santa Teresa não deixem ele parar nunca eu quero ter o prazer de um dia levar meus netoss lá.

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