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É preciso mais “educação outdoor”

Este texto nasceu após um debate com outros blogueiros sobre o caso de pessoas que foram pegas pela fiscalização em “trilhas irregulares” na região de Paranapiacaba. A notícia original que gerou o debate foi publicada no site da prefeitura de Santo André (SP) em 2015.

Afinal de contas, seria preciso educar alguns praticantes destas atividades para que os locais sejam abertos e disponibilizados ao público sem que haja a necessidade deste tipo de fiscalização ou proibição?

Eu acredito que a questão está relacionada com a falta de “educação outdoor” e respeito que algumas pessoas apresentam. Além do fato de que muitos brasileiros tem um instinto natural para dar um “jeitinho nas coisas” e passar por cima de tudo, o que acaba criando pessoas que acham que podem sair por aí acampando em qualquer lugar ou entrando em propriedades particulares atrás de uma cachoeira. Note que não se trata de defender a propriedade privada e impedir que elas tenham acesso a uma cachoeira ou uma praia, mas sim de fazer com que estas pessoas tenham a educação necessária para frequentar estes locais e mante-los abertos, não deixando guimbas de cigarro, lixo, dejetos humanos, equipamentos abandonados, pichações, não ouvindo música em volumes absurdos, etc. É triste ver que quanto mais um local ganha visitação e estrutura mais ele recebe pessoas assim. E isso tem uma consequência séria na maioria dos casos: o fechamento do local ao acesso público após alguns problemas.

Recentemente eu aproveitei alguns dias de férias para fazer a volta na Ilha Grande, e é incrível como a população de alguns lugares da ilha não gosta de ver os “mochileiros” (termo que ouvimos durante uma conversa lá). Aliás, no Saco do Céu existe um espaço gramado com pelo menos umas 5 placas grandes de “proibido acampar”, uma em cada árvore. Situações assim começam muitas vezes depois que alguém desrespeita um morador local ou algo do gênero, aí a comunidade acaba proibindo e vendo com maus olhos quem aparece com uma mochila cargueira nas costas…

fiscalização

Foto: reprodução / site da Prefeitura de Santo André – SP (http://www2.santoandre.sp.gov.br/index.php/noticias/item/10363-fiscalizacao-coibe-trilhas-clandestinas-em-paranapiacaba)

As pessoas vão para a natureza pelo contato com ela, para fugir do stress e da confusão do dia a dia urbano, não é? Então qual seria o motivo para não respeitar o espaço, não respeitar as pessoas acampadas ao redor, não levar seu lixo de volta, não respeitar os animais do local…? Parece ser falta daquilo que eu chamo de educação outdoor, ou seria falta de educação geral mesmo?

Pois é… Nós podemos reclamar do fechamento do point de escalada, dos donos de propriedades que impedem o acesso na cachoeira que está no terreno deles ou da falta de estrutura em muitos lugares. Mas nós nunca teremos voz nestas reclamações se não nos tornarmos exemplos daquilo que deveria ser correto. Não adianta falar da falta de estrutura do parque e jogar o lixo em qualquer lugar, não adianta falar que gosta da natureza, que faz trilha, que acampa, se você não colaborar e não respeitar o espaço natural e as pessoas ao seu redor. Trilhar é divertido, mas ser consciente dos seus atos, deveres e limites é imprescindível – e isso vale para fora da trilha também, é claro.

E como você pode ajudar nisso tudo?

Você tem experiência? Então passe ela para as pessoas que você conhece e que não tem. Sabe aquele seu amigo que você vê nas fotos do Facebook fazendo alguma coisa errada no camping ou na trilha? Então, chame ele para acampar ou trilhar, mostre as diferenças entre ser realmente alguém apaixonado pelo outdoor e alguém que só vai prejudicar o todo por causa da falta de respeito, consciência ou conhecimento.

Ao meu ver, aquela velha máxima que eu escutava quando era criança é muito válida: “a educação começa em casa”. Cabe a você fazer o seu dever de casa e aprender quais são as melhores práticas e como se portar em ambientes naturais. E cabe a você dividir esse conhecimento com os outros, só assim a mudança acontece.

Você não tem experiência, mas tem vontade de aprender?

Vá para um clube de montanha, procure um amigo que seja experiente no esporte, leia os vários sites sérios que existem por aí e, acima de tudo, lembre-se que a natureza funciona perfeitamente sem a sua presença e que o seu respeito por ela, pelo espaço e pelos outros é fundamental.

O fechamento de um local pode acontecer por vários motivos, mas tenha certeza que a educação dos frequentadores é um dos grandes motivadores para isso. Reflita e vamos fazer a nossa parte!

Aqui tem três artigos que podem ajudar quem está começando:

1. Princípios de Conduta Consciente em Ambientes Naturais.
2. Camping, um guia para o seu acampamento.
3. 10 erros comuns na trilha ou no camping.


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Mario Nery

Mario Nery

Trekker, montanhista e mochileiro, pratica esportes outdoor desde 1990. Apaixonado por equipamentos, fotografia, cerveja e tecnologia. Formado em TI, atualmente trabalha na área mídias sociais/marketing digital. Siga o Trekking Brasil no Twitter: @trekking


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