RSSFacebookTwitter YouTubeInstagramPinterest





Parque Estadual de Ibitipoca – MG

Onde: Minas Gerais – Conceição de Ibitipoca/Lima Duarte
Duração da trip: de 2 a 3 dias livres para curtir o parque inteiro
Melhor época do ano: é viável ir o ano inteiro, mas cuidado no período de chuvas de verão, os raios são intensos nesta época
Classificação: Trilhas fáceis e médias expostas ao sol.
Destaques: paisagens, grutas e quedas d’água com possibilidade de banho
Indicado para: qualquer pessoa com algum preparo físico e acostumada com caminhadas, inclusive crianças nos circuitos menores

Mais um convite dos amigos e mais uma trip na agenda, eu estava me devendo uma visita a Ibitipoca, até por que minha irmã tinha ido lá em 2009 e havia me falado bem do Parque. Não tinha como recusar essa oportunidade, assim saímos na sexta-feira de tarde do Rio em um carro e nos encontramos com um casal de amigos em Petrópolis. Saindo do Rio estavam eu, Elias Maio, Wilton Martins e a Christinne; em Petrópolis encontramos o Fábio Fliess e a esposa dele, Letícia.

Mais algumas horas de estrada, bons papos, boa música e estávamos em Lima Duarte – MG. Raios caindo pra lá e pra cá na estrada e nós preocupados com o tempo no dia seguinte. Paramos em um posto de gasolina na entrada de Lima Duarte para reabastecer um dos carros e comer alguma coisa. Agora era a hora do “off-road” começar. Entre Lima Duarte e Ibitipoca são 27Km de estrada de chão, uma estradinha que fica bem ruim para os carros normais quando chove. Felizmente a chuva não tinha caído nos pontos mais críticos da estrada, assim passamos sem maiores problemas. Ao chegarmos na Vila de Conceição do Ibitipoca a fome falou mais alto e fomos para uma pizzaria. Pizzas devoradas, muitas risadas e um bom papo como sempre – então vamos pra pousada/camping, por que o dia amanhã começa cedo!

Ficamos em uma pousada/camping com ótima estrutura – Reserva Canto da Vida. Banheiros limpos, com água quente nos chuveiros e cabines individuais, piscina, um ótimo espaço pras barracas (eles fizeram algumas clareiras no terreno, assim as barracas ficam em áreas separadas – muito agradável isso), um bom café da manhã (por R$ 15,00) e diárias de camping com preço justo (pagamos R$ 15,00 cada). Além disso a pousada oferece chalés, algumas pessoas do grupo optaram pelos chalés, eu e o Wilton ficamos nas barracas mesmo!

Camping pousada Canto da Vida

sede da pousada

Pousada/Camping Canto da Vida

Montamos as barracas, o pessoal foi pros chalés e desabamos nas camas/isolantes térmicos. A noite foi tranquila com aquele friozinho de Minas, um extra agradável pra quem assim como eu adora um clima frio. Acordamos por volta das 06:30, hora de arrumar as mochilas de ataque, tomar o café da manhã e partir pro parque. Um diferencial legal da pousada que escolhemos é que ela tem uma trilha nos fundos da área de camping que sai a uns 500-700m da portaria do Parque Estadual de Ibitipoca. Seguimos pela trilha até a estradinha, mais um tempo de caminhada e estávamos na portaria do PE.

Parque de Ibitipoca

Portaria do Parque Estadial de Ibitipoca

Centro de Visitantes

Centro de Visitantes do Parque

Taxa de entrada: R$ 15,00 (aqui tudo custa 15 reais, rsrsrss). Uma coisa legal sobre o Parque: eles disponibilizam sacolas retornáveis para o pessoal juntar o lixo e trazer de volta – aliás o parque é muito limpo – coisa que me deixou muito feliz! As trilhas são bem sinalizadas e abertas, não tem como se perder. Levei o GPS para gravar os tracklogs e postar aqui para ajudar vocês a se programarem melhor, mas não era necessário para se guiar. Neste primeiro dia de trilha o tempo começou nublado, mas depois o sol apareceu. Nosso grupo se separou em dois: Fábio e a Letícia foram para o Circuito das Águas; eu, Elias, Wilton e Chris fomos para o circuito da Janela do Céu, o mais longo do parque, com cerca de 16-17Km de distância.

Relógio Ibitipoca

Relógio Solar em frente ao restaurante do parque

Outra coisa legal do parque é o restaurante self-service que existe em frente ao Relógio de Sol, uma ótima opção para quem retorna das trilhas. Com custo de R$ 18,00 você come a vontade sem balança, incluindo um ou dois pedaços de carne.

O parque tem 3 circuitos: das Águas, da Janela do Céu e do Pico do Pião. Fizemos dois deles, ficou faltando o Pião para mim. Mas parte do nosso grupo foi até lá no segundo dia.

Dia 01: Circuito da Janela do Céu

Destaques: Paisagens, grutas, cachoeiras e piscinas naturais – Cachoeirinha e Janela do Céu – principalmente
Distância: entre 16 e 17 KM
Nível: médio, o caminho apresenta algumas subidas, mas nada demais para quem está acostumado.
Dica: leve roupa de banho, toalha, lanterna e protetor solar

Nós começamos a trilha através do restaurante/relógio, é possível fazer a trilha subindo por uma estrada fechada por uma corrente (no caminho entre o centro de visitantes e o restaurante, na esquerda). Essa estrada vai levar o caminhante no sentido contrário daquele que fizemos, por ela vocês sobem primeiro pela Lombada/Cruzeiro para descer nas grutas, Janela do Céu e Cachoeirinha. Indo pelo restaurante o sentido fica: Cachoeirinha – Janela do Céu – Grutas – Lombada/Cruzeiro.

A trilha não apresenta maiores dificuldades no início, a caminhada tem algumas subidas isoladas no meio e nos trechos finais. O sol agride o tempo inteiro, então leve bastante água (2L foi o que eu levei), protetor solar, óculos escuros, roupas leves e um boné/chapéu. A primeira parada foi na Prainha, em uma pequena ponte de madeira. Saindo de lá a trilha segue pela direita do rio, subindo pelas pedras.

Parque Estadual de Ibitipoca

Prainha

Saindo da Prainha a trilha segue sem maiores problemas, com alguns trechos de subida leve até “Monjolinhos” – uma piscininha natural que fica em um buraco, acessível por escadas de madeira. No retorno a trilha encontra um trecho mais íngreme de subida.

Trilha em Ibitipoca

Monjolinhos

No meio da trilha

Paredão no meio do caminho, similar ao Paredão de Santo Antônio

Seguimos a trilha passando por alguns trechos de belas paisagens, inclusive um paredão perdido no meio da vegetação que se destacava no visual. Neste pedaço a caminhada continua a subir… Próxima parada: Cachoeirinha, uma das paisagens mais belas do Parque na minha opinião, e não são poucas!

A Cachoeirinha é uma queda de uns 30 metros, acredito eu, que se forma de um zig-zag da água por entre a pedra, um visual lindo de cima e ainda mais bonito quando descemos e chegamos até a piscina que ela forma na base. Uma coisa legal aqui é a cor da água – ou as cores – culpa dos sedimentos e minerais presentes no local. A água vai do transparente até a cor de mate, um leque lindo para quem gosta de fotografar! Pra mim o melhor point para um banho de cachoeira junto com a Cachoeira dos Macacos (essa última no circuito das Águas)!

Ibitipoca

Ibitipoca é um parque de muitas cores. Parte de cima da Cachoeirinha

Cachoeira

Queda da Cachoeirinha e a piscina natural dela

A Cachoeirinha tem uma conexão com a Janela do Céu através de um riozinho, é possível cortar caminho por ele até a Janela, porém só opte por isso se você estiver disposto a se molhar e se não tiver muitas coisas de valor na mochila – nesta hora uns sacos estanque podem ajudar bastante! A água atinge o peito mais ou menos, a opção é passar com as mochilas para cima ou se molhar. Se for encarar esse caminho tire os calçados e seja feliz!

Para quem não quer se molhar tanto basta voltar pela mesma trilha que vocês usaram para chegar na cachoeirinha e seguir a trilha na direção do Rio que forma a Cachoeirinha.

Mais alguns minutos e estamos na Janela do Céu, uma queda d’ água que na verdade não se destaca pela queda em si, mas pela forma que ela se apresenta antes da queda. A Janela do Céu é um poção onde a vegetação cria uma moldura, uma janela mesmo, para a paisagem – algo diferente de tudo que eu já tinha visto.

Ibitipoca Janela do Céu

Janela do Céu, ponto de destaque no primeiro dia de trilha nosso.

pontos turísticos de Ibitipoca

Elias Maio na Janela do Céu

Ficamos um bom tempo por lá curtindo a água e fazendo algumas fotos. Mas ainda tínhamos muita trilha pela frente, então… Voltamos pelo caminho e seguimos em direção a portaria do parque pelo caminho que sobe, estávamos indo em direção às grutas e depois para Lombada e Cruzeiro. Agora a caminhada não apresenta mais nenhum ponto de água onde pudéssemos relaxar um pouco, sendo assim tocamos pra cima rumo às grutas.

São 3 grutas no total: a dos Fugitivos, a dos Três Arcos e a dos Moreiras. Só não fomos nesta última por causa do horário. Gastamos bastante tempo na Cachoeirinha e na Janela, além das paradas para fotografar, então resolvemos pular esta última gruta. A gruta dos Fugitivos é um grande corredor sem maiores atrativos, um túnel que leva para trilha da Gruta dos Três Arcos. Essa sim é uma formação bem legal. A gruta apresenta três grandes arcos, como se fossem portais em cada uma das pontas, a foto a seguir mostra bem o cenário!

Grutas em Ibitipoca

Panorâmica da Gruta dos 3 Arcos

Saímos da Gruta dos Três Arcos e chegamos ao trecho mais “cansativo” da trilha, uma sucessão de subidas até atingirmos a Lombada, um ponto com cerca de 1715m de altitude. Dali para baixo é descida e mais descida, passando pelo Cruzeiro e terminando naquela corrente que fecha a estrada, que eu citei no início deste primeiro dia aqui no relato. Ou seja, essa é uma longa trilha circular, que começa e acaba mais ou menos no mesmo ponto.

Fim do primeiro dia de caminhada, ainda corremos até o restaurante para ver se conseguíamos comer mas não chegamos a tempo… Uma pausa para um pequeno lanche e voltamos já de noite para o camping/pousada. Chegamos lá por volta das 19:30, famintos! Então cada um partiu pro banho e fomos todos jantar na Vila de Ibitipoca, ou “centrinho” como alguns chamam. Um lugar de “3 ruas” principais, onde se concentram os bares, restaurantes e lojas de presentes. A fome estava grande, paramos em um restaurante e encaramos um bom churrasco acompanhado de vinho e cerveja!

Dia 02 – Circuito das Águas

Destaques: Ponte de Pedra, Paredão de Santo Antônio e Cachoeira dos Macacos
Distância: entre 5 e 6KM
Nível: fácil, o caminho apresenta algumas subidas leves no trecho final.
Dica: leve roupa de banho, toalha e protetor solar

Essa trip levou dois dias e meio, mais ou menos. Na sexta-feira fomos até Ibitipoca, no sábado fizemos o Circuito da Janela do Céu e no domingo, o Circuito das Águas e retornamos ao Rio de Janeiro.

Neste segundo dia nosso grupo se separou novamente, mas com outra configuração. Agora Wilton, Fábio e Letícia foram em direção ao Pico do Pião e eu, Elias e a Chris seguimos pelo Circuito das Águas, um passeio curto mas que rende ótimas fotos, com direito a uma ótima cachoeira pra curtir o sol e a água gelada.

O Circuito das Águas é o passeio mais leve do Parque Estadual de Ibitipoca, são uns 5KM de trilhas bem tranquilas com lindas paisagens. A trilha começa no restaurante/relógio e segue margeando o Rio e o Paredão de Santo Antônio.

Santo Antônio

um dos destaques do circuito das águas, Paradão de Santo Antônio

Desça a trilha em alguns pontos e caminhe ao lado do rio, tem ótimos pontos para fotografar. Apenas fique atento em dias de chuva por causa do volume da água e cuidado para não escorregar nas pedras úmidas.

Logo após o Paredão de Santo Antônio a trilha segue para a Ponte de Pedra. Uma formação muito legal, onde o rio passa por baixo de um grande arco, formando uma “grutinha”. Atualmente o final da trilha da Ponte de Pedra está fechado, o que obriga o caminhante a ir até lá e voltar pela mesma trilha para chegar até a Cachoeira dos Macacos.

Circuito das Águas

Entrada da Ponte de Pedra

A trilha segue bem aberta e sinalizada até um mirante, um deck de madeira onde é possível ver de cima o vale onde se encontra a Cachoeira dos Macacos e a enorme piscina que ela forma. Um ótimo lugar para fotografar a paisagem. Que nós aproveitamos bem!

Trilha Ibitipoca

Foto da piscina da Cachoeira dos Macacos

O sol estava quente, pedindo uma cachoeira – mais alguns minutos descendo a trilha e estávamos na Cachoeira dos Macacos – um dos melhores locais para tomar um bom banho! Mas chegue cedo, pois como ela é bem acessível costuma ficar mais cheia.

Piscinas de Ibitipoca

Uma das melhores cachoeiras do parque – Cachoeira dos Macacos

Passamos um bom tempo curtindo a cachoeira e fazendo algumas fotos, mas não podemos demorar mais por que tínhamos que encontrar o resto do grupo para almoçar, voltar para Pousada e se preparar para desmontar tudo e seguir de volta pro Rio de Janeiro. Esse trecho de volta para o restaurante do Parque é uma subida que vai castigar alguns por causa do sol, porém as belas paisagens – principalmente da Ponte de Pedra valem o esforço. A dica aqui é descer por uma escada de madeira logo após o ponto mais alto da trilha, mais ou menos de frente para o restaurante. Esta escada vai lhe levar até a Prainha (aquela primeira parada do relato do dia 01). Dali para o restaurante é só subir um pouco.

Grupo completo no fim do segundo dia de trilhas

Grupo completo no fim do segundo dia de trilhas

Resumo

O Parque Estadual de Ibitipoca e a própria Vila valem muito, é uma viagem relativamente barata e muito gostosa. O local pequeno agrada, o parque é lindo e a pousada/camping que ficamos realmente surpreendeu. Antes de sair da Vila não deixe de visitar a Igrejinha, a Capela de Nossa Senhora da Conceição de Ibitipoca (se não me engano o nome é esse) e comprar alguma lembrança do lugarejo nas lojinhas… Ah, uma dica, na estrada entre Ibitipoca e Lima Duarte tem uma pequena lojinha que vende queijos e doce de leite feitos na fábrica ao lado da lojinha! Uma senhora muito atenciosa, sempre sorridente e com aquele sotaque de Minas vai lhe atender, recomendo o queijo Minas, o provolone defumado e o doce de leite!

Igreja

Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Ibitipoca

E a viagem rolou com SOJA e Red Hot Chili Peppers na trilha sonora da estrada!

Bons ventos e até a próxima! Hasta!
Fotos: Mario Nery

GPS – Tracklog das trilhas do parque

Acesse os tracklogs do Parque de Ibitipoca em: /tracklog-parque-estadual-de-ibitipoca/


Leia também

Urca – Pão de Açúcar e pista Cláudio Coutinho

A cidade do Rio de Janeiro começou no bairro da Urca. Quando os franceses, comandados por Villeganion, invadiram a baia de

Em busca da Aurora Boreal

Para quem não sabe, vamos definir cientificamente o que é a Aurora Boreal: O nome aurora boreal foi dado pelo

Karina Oliani – A mais jovem brasileira a escalar o Everest

A multiesportista Karina Oliani,chegou ao cume do Monte Everest nesta madrugada! Karina Oliani partiu para sua maior e mais difícil

Mario Nery

Mario Nery

Trekker, montanhista e mochileiro, pratica esportes outdoor desde 1990. Apaixonado por equipamentos, fotografia, cerveja e tecnologia. Formado em TI, atualmente trabalha na área mídias sociais/marketing digital. Siga o Trekking Brasil no Twitter: @trekking


1 comentário

Deixe sua opinião
  1. Rodrigo
    Rodrigo 4 dezembro, 2013, 13:13

    Recomendo a noite uma esticada ao Bar do Firma, é parada obrigatória a todos os visitantes !

    Responda este comentário

Deixe a sua opinião