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Parque Nacional do Caparaó – Parte 3

Vencidos os principais picos do parque no dia anterior nós resolvemos deixar esta quarta-feira para relaxar um pouco com uma trilha suave até o Vale Encantado. Como eu disse no primeiro texto desta série, o Vale Encantado fica ao lado da trilha que vai do Tronqueira até o Terreirão, nosso dia foi uma descida de uns 3,5 Km até a entrada do Vale Encantado – a entrada do Vale fica logo depois do Tronqueira.

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Pôr-do-Sol no Terreirão, inspirada na foto original do Renan Cavichi

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Pôr-do-Sol no Terreirão

Piscinas naturais e um passeio leve pra relaxar

O Vale Encantado é cortado por um largo rio com muitas piscinas naturais e água não tão fria assim, tudo bem que estávamos sofrendo com um dia de sol forte na cabeça. Mas melhor o sol do que a chuva… Descemos para o Vale logo depois do café da manhã, que desta fez não foi de madrugada. Como não precisávamos acordar tão cedo aproveitamos mais algumas horas de sono e depois tomamos um café da manhã sem pressa. Mari e Renan resolveram descansar um pouco mais e ficaram no abrigo de montanha, o resto do grupo desceu a trilha.

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Vale Encantado

Chegamos no Vale encantado e os corajosos – Carol, Jeff e Gui – enfrentaram a água. Os não tão corajosos assim – Nane e Lucas – molharam os pés. Os nada corajosos, que detestam água fria – leia “EU e EU” – aproveitaram para fazer umas fotos do local e comer alguma coisa, além de jogar conversa fora. Sim, eu amo o frio, mas não amo em nada a água fria…

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Pessoal se preparando pra encarar a água do Vale Encantado

Na volta o grupo se separou, eu voltei com a Nane e o Lucas, no embalo da Nane e o resto do pessoal voltou com mais calma atrás. A nossa vantagem nos deu tempo para parar no leito do rio e batermos papo sobre montanhas e regionalismos do sul do país. Enquanto isso assistíamos alguns grupos subindo com sacolas plásticas, coisas penduradas e mochilinhas de escola – era o primeiro grupo de pés-de-frango da semana, só achei estranho começar o movimento numa quarta-feira… Ao ver o pessoal subindo eu já sabia que teríamos sujeira lá em cima, dito e feito, daqui a pouco falo disso.

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Chegamos no Terreirão e a Mari estava sozinha preocupada com o Renan que ela não estava conseguindo ver no topo de um morro próximo do camping. O Renan deixou a Mari no abrigo e partiu rumo ao Morro das Jumentas, uma elevação que fica a uns 30 minutos de caminhada do Terreirão. O nome se deve ao fato de que as mulas que sobem com as mochilas costumam ficar por lá pastando. Depois de algum tempo vimos o Renan se movimentando no alto do morro e começando a descer, o que deixou a Mari mais tranquila.

Bem, eu detesto água fria como eu falei antes, mas não tinha como evitar, tive que encarar um belo de um banho. A subida foi em um ritmo rápido e o sol estava bem forte, cheguei suando no Terreirão e nessa situação os lenços umedecidos que costumamos usar para “tomar banho” não iriam dar muito certo. Peguei as coisas correndo e fui logo para o chuveiro do Terreirão para aproveitar que o corpo ainda estava meio quente. Banho num lugar assim, mesmo com sol de rachar, é dureza. Depois de xingar tudo e mais um pouco e de congelar os dedos do pé eu saí feliz e limpinho do banheiro. O resto do dia foi tranquilo, descansamos e conversamos muito. A noite tivemos uma conversa divertida entorno de uma mesa de queijos e vinhos. Cada um levou alguma coisa e a galera bateu um papo e aproveitou pra repor as energias com queijos diversos e algumas pequenas garrafas de vinho. Bobeiras e mais bobeiras, depois de tudo era hora de dormir. Amanhã seria dia de encarar a Pedra Roxa.

Pedra Roxa, uma montanha linda e um dia perfeito

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Quinta-feira, a saudade começa antes mesmo de chegar o último dia no PNC. Iríamos embora no sábado, mas estava tudo tão divertido e essa quinta seria mais um ótimo dia nas montanhas mineiras e capixabas. A única coisa que incomodou foi o movimento e a sujeira deixados pelos pés-de-frango que subiram pro Pico da Bandeira na noite de quarta-feira, eu deveria ter fotografado, mas na hora eu estava tão P da vida que nem lembrei disso. Existia um arbusto no meio da trilha do Bandeira que estava parecendo uma árvore de natal de papel higiênico, só para marcar o caminho caso se perdessem… Catamos aquilo tudo na volta, mesmo tendo pedido aos pés-de-frango que fizessem isso na descida, já que estávamos recolhendo alguma coisa enquanto íamos para a Pedra Roxa. Nosso pedido entrou por um ouvido e saiu pela cloaca dos franguistas… Coisa que me deixa muito irritado. Bem, irritação a parte continuamos nossa caminhada.

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Neblina no dia da Pedra Roxa

Estávamos acompanhados de mais duas pessoas que nos pediram para ir conosco até a Pedra Roxa, Lucas e João. Começamos a caminhar na trilha do Bandeira e em um grande descampado com uma lage de pedra entramos à esquerda para seguir descendo o vale em direção a Pedra Roxa. Até este trecho o GPS do Gui estava ligado e nós estávamos caminhando dentro de uma rota feita por outra pessoa. Quando o GPS apontou para uma subidinha no meio do mato enquanto eu estava vendo um vale enorme na minha frente pedi para desligar o aparelho e iríamos navegar no visual e na bússola – do jeito que eu gosto. Afinal de contas o GPS já nos tinha feita pegar um caminho torto na volta do Cristal para o Terreirão, na terça – e eu não estava disposto a encarar nada assim novamente.

A Pedra Roxa é uma montanha de visual simples para navegar, ela fica ao lado do Bandeira e a subida é fácil, basta sair da trilha do Bandeira neste descampado que tem uma lage de pedra na esquerda e descer o vale a frente, cruzar o pequeno rio e subir zig-zagueando a encosta da montanha até o colo onde começa a crista da Pedra Roxa. Rota mais ou menos traçada, fomos usando as curvas de nível mais baixas e com menos vegetação para seguimos em direção a base da Pedra Roxa. Uma parada no riozinho para um lanche rápido e depois foi só tocar encosta acima até a crista da montanha, mais alguns minutos e estávamos no topo da Pedra Roxa.

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Aproveitando a vista no alto da Pedra Roxa, vista meio encoberta é verdade…

Não existe trilha para a Pedra Roxa, depois da saída da trilha do Bandeira e da lage de pedra não existe marcação nenhuma de caminho, portanto tenha atenção se for fazer essa montanha.

A vista desta montanha é linda, apesar de não conseguirmos ver muita coisa para baixo por causa do forte nevoeiro que estava subindo e começando a fechar o vale.

Estava na hora de deixar o Sensor Climático da Guepardo fora da mochila e acompanhar a variação do barômetro, se caísse muito seria hora de descer mais rápido… Ok, tivemos tempo para fazer umas fotos, comer umas sopas e aproveitar o visual do Bandeira. Depois de uns 15 ou 20 minutos lá em cima eu achei que as nuvens estavam começando a engrossar demais e como haviam nuvens atrás do Bandeira eu sabia que seria inevitável pegar chuva em algum lugar, só não poderia ser na descida da encosta da Pedra Roxa, então nos prepararmos para descer e usamos uma rota diferente da usada na subida, descemos mais próximos da parede do Bandeira. Antes da descida eu tirei o azimute (aprenda a usar a bússola) do ponto mais baixo do vale onde passaríamos na volta até a trilha do Terreirão, uns 280º. Valor devidamente memorizado começamos a descer. Quando chegamos no início da subida do lado oposto do vale a neblina já começava a fechar um pouco mais o visual, mais uma conferida na direção do azimute e vamos pra cima… Levamos 3h e 30 minutos para chegar na Pedra Roxa, isso incluindo as paradas. Na volta gastamos 2h e 30 minutos até o Terreirão.

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No cume da Pedra Roxa

Pegamos uma leve chuva na subida do vale e depois uma pancada um pouco mais forte que deixou o visual dourado nas lages de rocha da trilha do Bandeira. Chovia, mas também tínhamos um sol forte, a mesma luz que ofuscava a visão criou um um belo arco-íris bem próximo de nós. Fim de trilha perfeito, mais um dia que eu estava feliz por estar ao lado de uma galera que tem disposição e noção para não fazer besteira em ambiente de montanha. Ah, João e Lucas nos acompanharam até o final.

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No fim da trilha tem um pote de ouro!

Chegamos no Terreirão, hora de descansar e bater mais um bom papo. Com direito a mais uma rodada de chimarrão na porta do abrigo e troca de informações sobre mochilão, escalada e alta montanha. Várias palestras do Mario… No dia seguinte rolou um papo com uns senhores do CPM – Clube Paranaense de Montanhismo – mas isso é assunto pro próximo relato, até.

Boa noite, boa trilha – piadinha do grupo…


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Mario Nery

Mario Nery

Trekker, montanhista e mochileiro, pratica esportes outdoor desde 1990. Apaixonado por equipamentos, fotografia, cerveja e tecnologia. Formado em TI, atualmente trabalha na área mídias sociais/marketing digital. Siga o Trekking Brasil no Twitter: @trekking


7 comentários

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  1. Carol Emboava
    Carol Emboava 23 julho, 2010, 12:29

    Mas esse Mario é um fofo e muito educado né, que bonitinho, hahaha!

    Mais um belíssimo relato, cheio de informações!

    E que saudaaaade que tá dando lendo os relatos, hehe! Esse dia da Pedra Roxa foi realmente uma delícia, acho que todo mundo curtiu demais né! :)

    Eu só quero saber de uma coisa, onde estava o pote de ouro que eu não encontrei? Quem pegou primeiro favor dividir com os demais do grupo, rs!

    Boa noite, boa trilha! (Caraaaa, toda vez que eu lembro disso, e do contexto da história, dou uma gargalhada sozinha aqui!)

    Beijão!!!

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  2. Gui Guedes
    Gui Guedes 23 julho, 2010, 19:03

    HA HA HA…Esse dia da pedra roxa esteve entre os 6 melhores dias q passamos juntos. (foram 6 no total…rs).
    O pote de ouro?! Ninguém achou…tbm, ninguém quis procurar. O maior tesouro foram as belas paisagens e os novos amigos. Uma nova família!
    Boa noite e boa trilha (O autor)rs.

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  3. edilson
    edilson 29 julho, 2010, 16:26

    Todas as fotos muito bonitas a do pôr-do-sol ficou espetacular.Parabéns a todos pela grande aventura. Em 2007, eu conheci o Caparaó , olhando as fotos senti saudades das pessoas e do lugar.Saudações do “Andarilho de la frontera”.

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  4. Encontre no Caparaó
    Encontre no Caparaó 30 julho, 2010, 17:32

    Nosso twitter http://www.twitter.com/encontrecaparao é responsávael em divulgar o Caparaó Capixaba, que é formado por 11 cidades.

    Considerada uma das regiões mais bonitas do Brasil, dentre os destaques de beleza natural temos: Serra do Caparaó, Pico da Bandeira e Cachoeira da Fumaça.

    Aguardamos você em nosso Twitter!

    Abs!

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  5. Lex Blagus
    Lex Blagus 26 Maio, 2012, 12:28

    HAHAHAHA, você sempre dá um jeito de linkar pro PdF!! abraços

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