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Parque Nacional do Caparaó – Parte 4

Os últimos dias no parque estavam me deixando chateado. Nenhum problema, apenas a sensação de que estava acabando incomodava. O Caparaó é um local maravilhoso e quando as pessoas que estão com você ajudam os momentos lá se tornam incríveis.

Depois do nosso dia de relaxamento nas piscinas naturais do Vale Encantado era hora de descansar e se preparar para o que seria o dia mais difícil de caminhada. A sexta-feira seria destinada a Pedra da Cruz do Negro, Pico do Tesouro e o Tesourinho. A primeira é a montanha mais perto da área de camping onde nós estávamos, já o Tesouro e o Tesourinho são as montanhas mais afastadas do parque – aliás, elas nem aparecem nos folhetos oficiais do Caparaó, são montanhas sem trilhas abertas.

Uma coisa estava preocupando aqueles que estavam inteiros para o ataque: o tempo estava começando a mudar. Os dias de sol forte e céu limpo que tivemos antes agora estavam amanhecendo com um sol tímido e muita neblina – concentrada principalmente na região para onde íamos nos dirigir. Combinamos de acordar às 03h da manhã.

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Acordamos ainda sonolentos e o Jeff foi lá fora checar o tempo. Ao voltar informou que o tempo estava nublado. Uma notícia não tão boa e um pouco de preguiça foram os ingredientes perfeitos para continuarmos enrolados dentro do saco de dormir por mais algum tempo. Levantamos depois de algumas horas e tomamos um belo café da manhã, chegamos a cogitar uma ida até a Pedra da Cruz do Negro, mas acabamos desistindo por causa da forte neblina que vinha daquela direção. Os senhores do clube paranaense estavam divididos entre fazer o Pico do Cristal ou descer para Itatiaia (Rio de Janeiro) e fazer o Agulhas Negras, na tentativa de encontrar um tempo melhor por lá. Acabaram indo pro Agulhas. João e Lucas, que nos acompanharam no dia anterior na Pedra Roxa, pediram algumas informações, deixaram as coisas deles no nosso abrigo e partiram para tentar fazer o Cristal. Desceram pelo vale que fica no fundo do Terreirão mas depois de uma hora mais ou menos foram pegos por grandes massas de neblina que subiam e desciam do Cristal, acabaram retornando.

Para não ficar sem fazer nada acabamos dando uma volta em um morrinho próximo do Terreirão. Apenas 30 minutos de caminhada e já estávamos no topo do Morro das Jumentas, uma elevação de onde se pode avistar muito bem o Pico da Bandeira, Calçado e o Cristal. Aproveitamos para ficar um tempo por lá jogando conversa fora e fazendo algumas fotos. Por ser véspera de fim de semana o movimento de guarda-parques aumentou, vimos um grupo de uns 6 agentes subindo a trilha em direção ao Terreirão. Isso já nos alertava para o aumento de movimento que deveria acontecer no sábado de manhã ou até mesmo no fim da sexta-feira.

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Quando voltamos para o abrigo tivemos algumas surpresas. Nane e Lucas que ficaram por lá durante o nosso passeio limparam o abrigo e arrumaram a cozinha – obrigado! Além disso, ganhamos muita comida de um grupo de Curitiba, agora tínhamos macarrão, molho, leite condensado e mais outras coisas sobrando. Com uma fome de leão o pessoal aproveitou a doação e com o comando da Chef Carol saiu uma bela macarronada com molho de tomate e carne e ainda rolou um macarrão com molho de pasta de atum. Comemos muito bem, afinal de contas ninguém queria levar nada de volta. Ainda assim estava sobrando comida – pães, salame, sucos, bananadas, etc.

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Depois do almoço o pessoal retirou os isolantes térmicos de dentro do abrigo e deitou na frente da casa para bater um papo e aproveitar o sol que não estava tão forte. Mais algumas boas conversas e algumas fotos do anoitecer.

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No fim do dia alguns já arrumavam as coisas pra nossa volta do dia seguinte, estava chegando o momento de deixar o Caparaó… Mas antes tínhamos uma noite pra relaxar.

Acordamos no dia seguinte já arrumando tudo. A comida que sobrou foi doada para o pessoal do ICMBio, uma mania minha que a galera achou legal. O pessoal ficou bem feliz ao receber pães, salames, sucos, bananadas, sucrilhos, molhos, etc. Antes de irmos ainda fizemos um chocolate quente, que sobrou pra caramba, então lá fomos nós distribuir chocolate quente pra um pessoal que estava sentado na varandinha do banheiro. O chocolate foi rapidinho e quase que a Carol vai junto também, hehehe.

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Doações feitas estava na hora de colocar as cargueiras pra fora do abrigo, desfazer o varal e passar uma última vassoura na casa. Tudo limpo e com direito inclusive a desentupir a pia do Abrigo, trabalho sujo do Gui e do Jeff, que desmontaram o sifão e limparam uma sujeirada que estava entupindo a pia e que por pouco não molhou algumas coisas nossas que estavam no chão, alguns dias atrás.

Fechamos o abrigo, deixamos a chave com o pessoal do ICMBio e seguimos rumo a Tronqueira. Quando saímos da casa com as cargueiras parece que todos os olhares do parque recaíram sobre nós. Muita gente que estava do lado de fora parecia não estar acostumada com mochilas cargueiras, bastões de caminhada, camelbacks e afins. Então fomos atração por alguns minutos. Descemos e cruzamos com vários grupos de fim de semana subindo, era sábado de manhã. Numa passagem por um desses grupos a Nane ouviu a seguinte frase de um cara pra namorada: -“Tá vendo? E você ainda reclama de carregar duas maçãs e uma garrafa d’água!”, ele falava olhando para as mochilas cargueiras das meninas do nosso grupo…

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Chegamos na Tronqueira e o movimento estava enorme, muita gente pra subir. A maioria esmagadora usando tênis comuns e mochilinha de escola. Paramos para descansar por uns minutos e decidimos encarar o banho frio, frio para alguns, já que outros usaram fogareiros e panelas para tomar um banho quente de caneca. Banhos tomados – uns mais agradáveis e outros mais congelantes – chamamos os táxis que nos trouxeram até o Tronqueira e descemos até Manhumirim. Parada obrigatória: um restaurante a quilo da cidade. Pedimos para os taxistas nos deixar lá e fizemos a felicidade do dono do local.

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Voltamos para rodoviária para esperar os nossos ônibus – alguns sairiam por volta das 18 horas e outros, como eu, sairiam por volta da 22:00. Eram mais ou menos umas 15:00… Resolvemos dar umas voltas pela cidade, revesamos o grupo que ficou na rodoviária tomando conta das cargueiras e partimos para um passeio pelas ruas pequenas de Manhumirim. Paramos para uma cerveja de comemoração e alguns ainda encararam uns sandwiches depois. Mais bate papo e estava chegando a hora do primeiro grupo partir. Despedidas e lá se foi parte do grupo rumo à São Paulo. Sobraram eu, Nane e Lucas na rodoviária. Eu sairia as 22:00 e eles às 22:30. Mais conversa e chegou a minha hora de se despedir. Assim terminava pra mim mais uma viagem.

Terminava ali, mas continuava na troca de emails, fotos, brincadeiras no Twitter… Momentos muito legais esses que passei no Caparaó. Novas amizades, muita coisa nova que eu aprendi, novos planos, futuras viagens, mais aventuras em algum outro dia.

Eu fico por aqui. Até a próxima.

Boas montanhas!!

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—————–
Contatos úteis:

Restaurante em Manhumirim:
Lanchonete e Rotisseria Bom Comer
Av. Teófilo Tostes, 297 – Centro – Manhumirim
Tels: (33) 3341-2233 / (33) 8416-8445

Táxis:
Nêgo
Disk Taxi (33) 9962-9903
Ponto da Rodoviária (33) 3341-1481
Residência (33) 3341-3111

Alício
Celular: (33) 9971-5938
Ponto da Rodoviária: (33) 3341-1481
Residência: (33) 3341-2372


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Mario Nery

Mario Nery

Trekker, montanhista e mochileiro, pratica esportes outdoor desde 1990. Apaixonado por equipamentos, fotografia, cerveja e tecnologia. Formado em TI, atualmente trabalha na área mídias sociais/marketing digital. Siga o Trekking Brasil no Twitter: @trekking


6 comentários

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  1. Carol Emboava
    Carol Emboava 1 agosto, 2010, 10:23

    Bando de preguiçosos, eu queria ir na neblina, no frio, na chuva… hahahaha!

    Aquela foto fake do Renan ajudando na cozinha é o máximo, rs! Assim as pessoas acreditam que tava todo mundo ajudando! E o Gui encanador ali, só de butuca, rs!

    E eu não tô sabendo dessa história da sequência do chocolate quente que quase a Carol vai mbora junto, mentiraaaaaa, hahahaha!

    Na próxima trip não quero nem saber vou carregar no máaaaximo 2 maçãs e 1 água! O resto fica com os homens da casa, já que vai ter bastnate, rs!

    Mario, valeu pela companhia na trip! Essa vai ficar na memória. A galera foi a melhor parte! :)

    Beijão!

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  2. Mario Nery
    Mario Nery 1 agosto, 2010, 11:18

    Se você quiser levar uma água e duas maçãs é melhor nem sair do abrigo do Rebouças, conforto não vai faltar por lá! Ahauahua. Veja pelo lado positivo, quando voltarmos da empreitada já teremos almoço prontinho! AHuahauha. Brincadeira, loirinha.

    Saudades do pessoal, com certeza o melhor da trip foi a sintomia entre a galera.

    Bjsss

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  3. Andrea Henriques
    Andrea Henriques 14 setembro, 2010, 22:02

    Esses relatos nos deixam com mais vontade de vivenciar essas experiências!!! Parabéns pelo texto e fotos!

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  4. edvard pereira
    edvard pereira 25 dezembro, 2011, 15:26

    Quanto ao fato de terem chamado a atenção ao saírem da casa talvez tenha sido por causa do tipo de equipamento, das indumentárias e do visual, que muitos,provavelmente, acharam inadequado para aquela ocasião, comparando a alpinistas que se aventuram no Himalaia! No mais a aventura foi nota 10!

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  5. Mario Nery
    Mario Nery 26 dezembro, 2011, 15:05

    É Edvard, parece que o pessoal de lá não está muito acostumado com os equipamentos que são mais normais aqui no Rio ou em SP. Acho que fora as mochilas cargueiras e os bastões de caminhada o resto era bem normal :)

    Bem vindo ao TB! Obrigado pelo comentário e pela visita!

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