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Pico do Marins

Texto e fotos: Edgar Perlotti

Mais alguns meses e começa a temporada de montanha aqui no Sudeste. Desde agora, os montanhistas já começam a planejar quais montanhas serão conquistadas. E tanto para montanhistas experientes, quanto para iniciantes, o Pico dos Marins é uma excelente opção para abrir a temporada.

Mapa do Pico do Marins

O Pico dos Marins, cujo cume chega aos 2.420 metros, está localizado na Serra da Mantiqueira, próximo às cidades de Piquete e Cruzeiro. Entre as mais altas do Estado de São Paulo, é a maior a ficar totalmente dentro do Estado (a Pedra da Mina, com 2.798 m é a maior do Estado, mas seu cume está na divisa entre MG e SP, o mesmo acontecendo com vários pontos da Serra Fina). O cume foi atingido pela primeira vez em 1911, mas ficou nacionalmente famosa em 1985 por conta do desaparecimento de um escoteiro. Até hoje, não existe uma explicação para o desaparecimento e seu corpo nunca foi encontrado.

A trilha começa normalmente no Acampamento Base do Marins, próximo da rodovia que liga Lorena-SP a Itajubá-MG. O acampamento possui alojamento e cozinha, além de ser praticamente a única opção para abastecimento de água potável em toda a trilha. O dono do acampamento é o Milton, que é a melhor referência para saber em que condições a trilha se encontra. O Milton também pode conseguir um guia para quem ainda não se sente confiante o suficiente para encarar a trilha por conta própria.

Acampamento base do Milton

Uma boa forma de garantir que a trilha será feita com calma e sem pressa, é pernoitar no alojamento. Só é fundamental lembrar-se de trazer saco de dormir e isolante, porque as temperaturas a noite caem bastante. Para quem vai acampar ou bivacar no cume estes equipamentos são imprescindíveis, uma vez que lá a temperatura cai facilmente para perto de zero graus.
Para uma boa descrição de como se chegar ao Acampamento Base, ver: http://www.marinzeiro.com/como_chegar.html.

Apesar de ser bastante seguro, com poucas passagens mais expostas, o caminho para se chegar ao cume dos Marins é bastante tortuoso, com subidas bem íngremes e com poucas árvores em sua maior parte (o que significa sol forte na cabeça o tempo todo, o que é bem desgastante). A trilha está cada vez mais bem sinalizada, facilitando a navegação. Mas, é muito importante garantir um bom tracklog ou descritivo da trilha, porque alguns trechos ainda impõem alguma dificuldade (principalmente onde está a bifurcação para a travessia até o Itaguaré).
Saindo do acampamento base, a trilha segue pela mata mais fechada até o Morro do Careca, uma área mais aberta.

Pico do Marins Trilha Fechada

Mirante

4.Estrada Morro do Careca

Seguindo à esquerda, atravessando uma pequena mata se encontra uma clareira, que está bem degradada e geralmente cheia de pessoas fazendo churrasco.

Entrada para o acampamento Marins

Ali, do lado esquerdo de quem vê a placa indicando o caminho para o Marins, entrando na mata, tem um córrego (sugiro só usar essa água em uma emergência, prefira levar água desde o começo). O caminho até este ponto tem quase 2 km, com umas subidas, com ganho de mais ou menos 200 m – ou seja, uma subida ainda leve (as partes mais fortes estão na estrada de terra, até chegar a um mirante bem legal no Careca, com vista para todo o maciço).

Placa de sinalização da trilha Marins

A partir do Morro do Careca, a trilha começa a ficar mais íngreme e com vegetação cada vez mais ausente. O caminho é praticamente todo feito em lajes de pedra e totens estão por toda parte (inclusive, em alguns pontos mais confundindo que ajudando a se localizar).

Uma longa subida leva a subir e contornar dois cumes. Dois pontos merecem mais atenção por conta da exposição e risco de queda. Em ambos os casos, vá com calma e com bastante cuidado, que dá para passar. De forma geral se segue sempre com o Marins ao seu lado direito, até chegar ao segundo maciço, onde a trilha vira totalmente à direita e passa a seguir em direção ao próprio Marins.

Pico dos Marins

Trilha do Pico do Marins

Depois de passar pelo segundo maciço, a trilha desce um pouco até a nascente do Ribeirão Passa Quatro. Nesse ponto o Marins deve estar totalmente na sua frente (logo após contornar o morro por uma área de mato mais fechado e descer uma laje de pedra, até a água). Esta água está contaminada e só deve ser tomada em caso de emergência. Cruzando o rio, há uma área para acampamento, mas idealmente se deve evitar acampar ali por conta da contaminação da água. Um pouco mais a frente, no último platô antes do cume existe uma área melhor para acampamento.

Água contaminada trilha do Marins

O cume do Marins não é muito grande, por isso é importante confirmar com o Milton antes de começar a subir a quantidade de pessoas no cume, para se evitar levar mochilas pesada e não conseguir acampar no cume. Deste último platô até o cume se leva aproximadamente 1h30, subindo um paredão bem íngreme de 150 metros. Se estiver muito cansado, vale deixar as mochilas no platô e subir mais leve.

Trekking Pico do Marins

A vista do cume é impressionante. Em um bom dia de sol, dá para ver o Pico do Itaguaré, a Serra Fina, Pedra da Mina e várias cidades da região. Com um total de 11 km, é possível fazer um bate e volta no Marins, mas o acampamento no cume é uma experiência inesquecível. Lembre-se apenas que a noite as temperaturas caem bastante e venta muito. Leve roupa adequada para estas condições.

Foto do Cume do Pico do Marins

Informações complementares:

Contato Acampamento Base do Marins: Milton (12) 9770-1991


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Nota: Este texto foi revisado em novembro de 2015. Duas semanas já se passaram depois do meu retorno e eu

Edgar Perlotti

Edgar Perlotti

Montanhista, mergulhador e economista nas horas vagas. No Twitter: @edperlotti


6 comentários

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  1. Anderson de Araujo
    Anderson de Araujo 27 Maio, 2014, 20:02

    SAlve Edgard, muito bacana seu relato.
    Grato pelo contato do Sr Milton.

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  2. Lucas
    Lucas 15 julho, 2015, 09:17

    Bom dia comprei um saco de dormir para fazer montanhismo com suporte até 11°C, pois mais que isso já era mto caro. Ainda pretendo sempre levar meu isolante térmico e roupas antivento, camisa segunda pele, meias e etc. Consigo será enfrentar bem as noites nas montanhas? Atacaremos o pico dos marins agora no final de julho, no dia 25/07. Obg

    Responda este comentário
    • Mario Nery
      Mario Nery 15 julho, 2015, 09:30

      Olá Lucas, bom dia. Depende! Pode ser que você fique bem no limite, mas isso depende de alguns detalhes:

      Essa temperatura do seu saco de dormir é a Extrema, Limite ou Conforto? O correto é escolher o saco de dormir sem considerar a temperatura Extrema, sendo assim, se o seu Extremo for 11ºC positivos o seu saco será bem fraco em climas mais frios, mesmo com você dormindo vestido. Qual é a marca e modelo o saco que você comprou?

      Outro fator a ser levado em conta é a quantidade de pessoas na barraca. Dormir sozinho significa menos calor na barraca do que se você estivesse acompanhado… Abs!

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      • Lucas
        Lucas 15 julho, 2015, 18:12

        Fala Mario obg pela resposta.

        Então meu saco possui extremo entre 8 e 5 graus na verdade, 11 é o limite. Comprei um Forclaz Light 15ºC da Quechua, não sei o reconhecimento que tem, mas os equipamentos que tenho da Quechua nunca me decepcionaram. Prefiro comprar esse tipo de equipamento fisicamente e esse era o que se encaixava nas minhas condições na loja que comprei, os mais “tops” eram bem mais caros, entorno de 300,00. Porém ja encontrei na internet sacos de limite -1ºC da Nautika pelo mesmo valor. Não sei se fiz uma compra um pouco na ansiedade pelo que pretendo (montanhismo, porém faço bastante camping pelas baixas altitudes), mesmo assim ainda considero uma chance eu comprar um mais “profissional” daqui uns anos.

        A minha real questão é se vendo ele ou tento devolução na loja e compro um pela internet, sem saber a qualidade por não poder tocar, abrir e etc. Ou se fico com ele, passo alguns perrengues pela montanha durante um tempo e depois compro um melhor.

        Valeuu, abraços!

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        • Mario Nery
          Mario Nery 16 julho, 2015, 12:22

          Você vai passar frio sim, com certeza. Principalmente no inverno e se estiver sozinho na barraca. Nada contra a Quechua, pelo contrário, gosto de muita coisa deles. A questão é: qualquer saco de dormir para temperaturas menores será mais caro e na maioria dos casos mais volumoso e pesado. Em campings e locais com a temperatura um pouco maior do que a do Inverno no Marins esse seu saco atual funcionará, porém é muito provável que você precise de alguma coisa mais forte. Eu uso um modelo de saco de dormir leve que o limite é 10ºC e com ele eu com certeza passo frio em montanhas como as da Serra os Órgãos aqui no Rio… No seu caso deve acontecer a mesma coisa… Abs!

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          • Zé
            4 agosto, 2017, 10:46

            Eu também tenho esse mesmo saco de dormir de 10º da Quecha. E estou indo amanhã pro Marins. Comprei uma mantinha termica de 39,00 lá na Decathlon que fica bem pequena na mochila, pra ajudar.

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